quarta-feira, maio 26, 2010

Há um ano atrás II

26 de Maio, terça-feira
Acordei bem disposta, descansada e relaxada. A ameaça de início de trabalho de parto activo do dia anterior tinha sido falso alarme. As contracções mantinham-se, mas espaçadas e bem toleradas. À medida que a manhã avança, começam a intensificar-se novamente. Chama-se a J., que vem prontamente de novo. Mesma dilatação do dia anterior, bebé com bons batimentos cardíacos, contracções mais próximas. Tal como no dia anterior, faz-me massagens, recomenda exercícios para alívio da dor e para ajudar o Josué a posicionar-se, ajuda-me a pôr o TENS para aliviar a dor das contracções. No entanto, durante a hora do almoço, as contracções começam novamente a diminuir de intensidade e a tornar-se mais espaçadas. Acabamos de almoçar já sem sinais de parto iminente. Saímos para tomar café e andar um pouco, e, do Josué, nada! Confesso que, por esta altura, já me começava a convencer que teríamos mesmo de chegar à indução.
A J. vai-se embora e eu e o A. vamos buscar a Rebeca para darmos um passeio. Objectivo: caminhar. Era a última tentativa para fazer o Josué nascer sem indução. Caminhámos um bocado. A Rebeca correu, feliz. E regressámos a casa na mesma. Sempre com contracções, mas sempre bem toleradas e espaçadas.
À noite, depois de jantar, houve alterações: contracções mais incomodativas (já andava com o TENS a vibrar nas costas) obrigam-me a procurar posições de alívio. Um bamboleio faz com que tudo se precipite. Sinto o Josué mudar de posição, encaixar-se, e as contracções intensificam-se rapidamente. Novo telefonema para a J., porque agora é que era. Deita-se rapidamente a Rebeca, com consciência de que, no dia seguinte, eu não estaria lá quando ela acordasse. E deito-me, para tentar abrandar o trabalho de parto até a J. chegar.
Quando chega, confirma-se o diagnóstico: 6 cm de dilatação, contracções muito próximas, bebé com bons batimentos. Saímos as duas para o hospital, que o A. tinha de ficar com a Rebeca e não poderia assistir ao parto.
Chegamos ao Hospital de S. João por volta das 22:00. Põe-me a fazer CTG durante um bocado (quase meia hora); eu ansiosa por poder sair dali e mexer-me à vontade para aliviar as dores. Só me valia a respiração. Ponho o enfermeiro a par do meu plano de parto e digo-lhe para me reservar a sala de parto natural. Entretanto, uma colega da J. encontra-a e deixa-a vir para o pé de mim. Quando sou observada pela médica (não era a minha, mas o pouco que sabia dela deixava-me totalmente tranquila), já estava com 7 cm de dilatação, o que gerou elogios da parte dela e das parteiras, por estar tão serena em pleno trabalho de parto. "Daqui a nada está cá fora", diz-me a doutora. "Assim espero", respondo. "Agora só quero ir para dentro de água."
Percorremos então o caminho para o quarto, que é isso mesmo que parece a sala de parto natural. Lá me instalo: mochila das primeiras necessidades dentro do roupeiro, roupas do Josué entregues para serem aquecidas na estufa, e ponho-me à vontade para o grande momento que se segue.

1 apontamentos:

Ana Rute Oliveira Cavaco disse...

nem sabia que existia esse aparelho...